Pé esquerdo (PARTE 2)
Andando pela casa percebi algo suspeito, talvez uma pista, fui investigar e chegando perto percebi outra coisa estranhíssima, havia um terço junto de um pequeno saco com cocaína - finalmente tinha uma pista, era hora de ouvir meu avô que sempre dizia que deveria ir à igreja.
Fui ate igreja e já aproveitei para me confessar, o padre entendeu minha situação e me pediu para voltar as 19:00, depois de a igreja fechar... Bem... Foi o que eu fiz, voltei as 19:00 e dei três fortes batidas na porta ao lado da igreja, como o padre me aconselhou.
Ao entrar a principio me espantei ao ver as mesas de jogos, um longo bar, varias dançarinas semi-nuas, mas parei para pensar e entendi o porquê meus tios e meu avô iam sempre para a igreja à noite e também porque queriam comemorar meus 18 anos na igreja – agora vejo que devia ter aceitado – e também o porquê de sempre encontrar suspeitos indo há igreja essa hora – deixei vários de fora de investigações, imaginando que eles eram devotos e inofensivos.
Fui fazer algumas perguntas ao padre sobre o que encontrei na mansão dos Mortons.
- Padre, hoje à tarde fui ate a mansão dos Mortons e encontrei um terço e saco de cocaína próximo a cena do crime, os vizinhos me informaram que a família não era devota e passou por minha cabeça que o assassino poderia ser um devoto pelo fato de ter levado um terço consigo. O senhor conhece algum devoto daqui que talvez poderia ter realizado o crime?
-No momento não lembro de ninguém meu filho. Você me parece muito cansado e estressado, talvez uma das minhas concubinas possa resolver seu caso, hoje é por minha conta detetive.
Já que estava lá decidi esquecer um pouco do trabalho e me divertir um pouco – Há tempos que não ia para cama com alguém que realmente valha a pena, sempre a mesma gorda que só me atormentava.
Consegui relaxar, – realmente, as concubinas eram ótimas - mas não tinha conseguido avançar o caso do assassinato, pelo agora tinha uma pista ainda mais com essa missa noturna, comecei a freqüentar essas missas para procurar por suspeitos por lá – e também me “confessar” para as concubinas.
Depois de algumas noites não encontrei nenhum suspeito na igreja – Talvez estive muito bêbado ou muito concentrado com as freiras - decidi rondar a igreja durante o dia e investigar mais detalhadamente os suspeitos que encontrava.
Em dois dias achei um sujeito realmente estranho – Pele muito branca, altura media, cabelo loiro claro, olhos claros e olhava de maneira realmente entranha para as mulheres principalmente as de características negras, como a empregada torturada dos Mortons.
Passei a segui-lo continuamente e consegui informações suficientes para incriminá-lo como a arma do crime – uma cruz com uma ponta parecida com a de um bisturi – e os pés eram do tamanho das pegadas encontradas pela casa – finalmente tinha resolvido esse crime e meu emprego estava a salvo novamente.
No dia seguinte fui ate a delegacia passar as informações ao capitão e conseguir o mandato para prendê-lo. Cheguei as 6:00 e fui direto para a sala do capitão Bóson.
- Capitão, vim aqui para conseguir um mandato para pren...
- Não precisa falar mais Cardan, deixe os papeis na mesa e vá falar com o delegado Veldor, ele quer falar com você.
Haha... Agora podia tacar na cara daquele velho e mostrar que não sou um imbecil.
Fui ate a sala do delegado e...
- O capitão Bóson disse que o senhor queria falar comigo.
- Sim, quero sim, serei breve.
- Sim senhor.
- Pode por seu distintivo e arma em minha mesa, porquê você esta demitido.
Não podia acreditar no que ouvira, mas eu tinha resolvido o caso...
- Senhor, eu resolvi o caso dos Mortons.
- O capitão me disse, já vamos preparar o mandato e prender o delinqüente.
- Mas vai me demitir mesmo assim? – indaguei
- Sim.
Como eu odiava aquele velho, nem mesmo para me uma explicação! Ainda tive que aquele Bulldog velho esboçar um sorriso na cara velha dele! Que ódio! Taquei o distintivo e a arma sobre a mesa e fui embora com a cabeça a mil.
Precisava me acalmar, mas ainda era muito cedo para ir a “missa”, decidi ir ao Sasinati mesmo – Sasinati era um bar na região do centro, onde costumava tocar Rock e a noite tinha uma espécie de “missa” por ali – Ali fiquei pela tarde inteira tomando muito whisky e ouvindo um som de uma banda que estava lá, Iguanas de Albrador.
“
♪ ♫
Pé esquerdo
(Iguanas de Albrador)
Dia louco
Noite confusa
Ouvi gritos de deixar de rouco
Criaturas parecidas com a medusa
Dia louco
Perdi tudo o que tinha
Gritei ate ficar rouco
Gritei ate ficar louco
Dormi com tudo
Acordei com nada
Acordei em outro mundo
Acordei como um moribundo
Dormi com tudo
Acordei com nada
Senti como é não ter nada
Fiquei mudo
Depois gritei
Gritei ate ficar louco
Gritei ate ficar louco
”
(Guilherme Ambrozio Rodrigues)
terça-feira, 21 de abril de 2009
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