Lucky
Acordo tonto e cansado, vejo que ainda estou no bar. Devo ter bebido além da conta, mas beber não vai me devolver o emprego ou fazer brotar dinheiro em minha carteira.
Dou uma olhada pelo bar e vejo “Lucky” jogando baralho junto dos iguanas – Lucky, nome verdadeiro Rodrigues Zorbima, um homem de estatura media para baixa, cabelos levemente encaracolado e um pouco cumprido, sempre está de óculos escuros e vestindo roupas pretas, brancas ou vermelhas, já conheço ele de outros carnavais, quando ainda investigava jogatinas clandestinas, não costuma resistir as trapaças – Talvez essa seja uma boa chance para me aproximar dele e arrumar uma fonte de dinheiro. Afinal, tenho minhas para pagar também.
Me aproximo da mesa e vejo que estão jogando poker, mais precisamente Texas Hold’em, vejo que Lucky tem um 5 e um K de espada em mãos e seu adversário 10 de copas e um 4 de espada, o flop virou 7 e 8 de espada e um 2 de ouros o adversário aposta pesado, vejo Lucky com uma expressão de que vai deixar o pote, então faço sinais com os olhos de que não passa de um blefe, ele percebe e vai de All-in – Minha nossa, se ele perder essa mão estou morto, onde estava com a cabeça para passar sinal assim – Agora so posso torcer o flop vira um 10 de ouros – Acho que já estou morto, so quero pelo menos um caixão digno e uma morte rápida – Vira a próxima carta e ... – Ai meus Deus, não conseguido nem sentir o vento bater em mim, so estou pensando NELES batendo em mim – e vira um A de espada para minha salvação – Ufa ... essa passou perto ... – Lucky se levanta pega as fichas e faz sinal para mim ir para o bar.
- Ola eu sou Rodrigues, mas pode me chamar de Lucky, quem é você?
- Sou Virgo Cardan.
- Tem algum emprego ?
- Não mais
- Então agora você vai ir comigo ao PartyStars, você me deu muita sorte hoje, e claro, muita grana também.
Lucky tinha muito dessas superstições e era muito ligado com esse assunto de Sorte – Afinal o apelido Lucky não era a toa.
- Leve isso com você, volte aqui amanha as 17:00 e terá muito mais.
Ele me jogou um pequeno saco de pão, dentro continha uma ficha de poker e mais uns dozentos mangos – Maldito pão-duro, ganhou quase 15 mil as minhas custas e me da essa migalha... Bem... Melhor que nada... Melhor que uma surra.
- Até amanha doutor Cardan – disse ele esboçando um leve sorriso no rosto.
- Até ... gurp! – Acabei soluçando, não de nervoso, era ainda os efeitos da bebedeira da tarde.
Minha nossa, estou muito cansado já era umas 2:00 e eu preciso dormir, só consigo pensar na vaca da minha mulher reclamando da hora “ Isso são horas?” “Olha para você, ta bêbedo de novo !” “Onde se tava ?!”, já me da raiva o de pensar.
Chego em casa e um silencio predomina .... Ah ... Agora me lembro que aquela vaca foi embora ... Vagabunda ... Bem... Menos mal ... pelo menos não tem ninguém pra ficar reclamando. Vou direto para cama e finalmente posso dormir sem compromisso de acordar cedo... Ai que alivio.
Acordo com uma puta dor de cabeça ... Nossa... como odeio ficar de ressaca... Olho no relógio que marca 13:00 ... Dormi bem, dormi com prazer, finalmente ... Vou preparar meu café, coloco um pão velho sobre a mesa, já que o cereal acabou, e um pouco de café de ontem... Preciso logo conseguir dinheiro para arrumar uma empregada, odeio ter que arrumar a casa, fazer café, talvez minha mulher tinha razão de me chamar de inútil se eu for ver bem.
Saio para fazer umas compras, já que ganhei uns trocados ontem, e encontro Joe “Tiro Certo” – Joe era outro detetive, um cara alto, cabelo curto castanho, olhos castanhos e uma cara um tanto de mal, mas aparentemente honesto e com uma precisão absurda, justificando o apelido – Ele vem ate mim e...
- Ola Virgo, como está? Soube que o chefe te demitiu.
Parece que o velho maldito se orgulha so que fez e saiu espalhando para todo mundo.
- Sabe Joe, ate que vou bem, pelo menos não tenho mais aquelas fortes dores de cabeça.
- É verdade, também estou sob muito stress. Ah... Já ia me esquecendo o cara que você ia prender, aquele estranho do caso dos Mortons conseguir escapar dos policias, é bom tomar cuidado por ai.
Agora que eu começo a me ajeitar novamente um insano maldito vem tentar me matar, deve ser muito azar.
- Bom saber, vou ficar mais atento.
- Procure ficar mais atento mesmo.
Será que passo essa imagem de inútil a todos?
- Pode deixar.
Chego em casa, coloco as compras sob a mesa e vou me arrumar para ir ao Sasinati encontrar com Lucky.
16:30 chego ao Sasinati, e lá esta o Lucky no bar, vou falar com ele.
- Ola, sou Virgo, você para mim voltar aqui hoje.
- Opa, chegou cedo doutor.
Ainda não entendi o porque desse “doutor”. Porra, tenho cara de doutor agora, tem algum crachá em minha jaqueta?
- Estava ansioso para saber o que me espera.
- Então venha comigo, vamos dar uma volta.
E saímos para andar na rua.
- O negocio vai ser o seguinte, nós vamos ao PartyStars, você da uma olhada nos jogadores, procura os mais fracos e que apostam pesado e me chama e sempre que for possível passar sinal, faça, como fez ontem, certo?
- Parece simples.
- Muito simples, simples como uma flor.
- Então quando vamos?
- Agora.
Parece que o cara não gosta de perder tempo mesmo.
- Ótimo.
Nisso vem um mendigo correndo bêbado e agarra Lucky, ele nem um pouco contente o empurra, saca uma arma prateada e manda um tiro bem entre os olhos do indigente.
Estava pensando em perguntar em quanto ia ganhar com o negocio, mas parece que se continua vivo já vai ser um lucro.
- Odeio homem me agarrando, principalmente bêbado e fedendo.
Nisso e tirou uma ficha de poker do bolso e jogou sob o cadáver.
Curioso pergunto:
- Por que jogou essa ficha?
Ele da um leve sorriso e diz:
- É pra ele tentar a sorte com diabo, lá no inferno.
...
quinta-feira, 23 de abril de 2009
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